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Ideias e Ideais

... Sou das Ilhas de Bruma onde as gaivotas vêm beijar a terra...

Ideias e Ideais

... Sou das Ilhas de Bruma onde as gaivotas vêm beijar a terra...

Bem-vindo(a)

Hoje tudo o que eu queria
era a tua visita.
Não sei porquê mas fazia-me bem
que me deixasses uma mensagem.
Se não gostares do
meu cantinho diz.
Podes ficar descansado(a)
que não vou ralhar contigo.
Para quem não sabe
e me visita pela primeira vez
este é um espaço de
um Açoriano da ilha Terceira.
Aqui vou falando
da minha terra
e das minhas ideias e ideais
.Obrigado por me visitares

No rescaldo... outros tempos

23.10.05, ilhas
No Jornal do Pico descobri este artigo , delicioso, que conta como eram os actos eleitorais antigamente por estas ilhas. É da autoria de Ermelindo Avila. Para quem vai a devida vénia. Continue a escrever coisas tão deliciosas como esta...

" Está feita a história do último acto eleitoral. Uns ganharam… outros perderam… No entanto nem todos estão conformados com os resultados e continuam à espera da desforra…

O Povo, esse votou, uma parte conscientemente outra levada pelas promessas dos caciques. Foi assim em todos os tempos, embora a chamada "cultura democrática" aparente um mais consciente posicionamento do eleitorado.
Mas isso não importa. Os resultados vão utilizá-los os vencedores. Bem? Mal? O Futuro o dirá.

Certo é que os programas ou promessas nunca serão cumpridas. Haverá sempre razões, as mais díspares, para justificar a falta de execução daquilo que, em horas eufóricas se prometeu, muitas vezes de porta a porta…

Antigamente as eleições eram diferentes. Nem todos tinham o direito do voto. Apenas os homens e mesmo assim aqueles que sabiam ler e escrever… As mulheres não contavam.

Os actos eleitorais eram, por vezes, grosseiramente falseados ou anulados, pelas autoridades no poder.

Junto das urnas aliciavam-se os eleitores. As altercações junto das mesas, não raro aconteciam, apesar destas serem policiadas muitas vezes por agentes da polícia ou pelos antigos "cabos de polícia" às ordens do Regedor, entidade que desapareceu em 1940 e que bons serviços prestava nas freguesias, solucionando desavenças familiares ou sociais.

As mesas eleitorais funcionavam nas igrejas paroquiais como espaços mais amplos para conter os eleitores. E por essa razão os párocos tinham de celebrar a Missa Dominical muito cedo e recolher o Santíssimo em lugar seguro, evitando qualquer desacato. Felizmente que houve quem, num gesto de dignificação do recinto, passasse a transferir as assembleias para outros locais, principalmente para as escolas primárias. No concelho das Lajes a assembleia passou a funcionar na sala das sessões da Câmara Municipal. E, com a Concordata de 1940 que restituiu à Igreja Católica os templos e outros bens que haviam sido confiscados pela República, não mais alguém pensou em fazer voltar às igrejas os actos eleitorais.

Mas, já agora, vou contar-vos um dos muitos actos picarescos acontecidos em actos eleitorais.

Em certa freguesia o eleitorado estava dividido. O Governador contava com o resultado para vencer as eleições, quando recebeu a visita do Regedor a informá-lo de que os eleitores das "Terras de Cima" iam votar no partido contrário. No entanto, se ele quisesse, podia arranjar-lhe uma verba de cinquenta mil reis e uma força de sargento e tudo se resolveria. Estranhou o Governador o pedido mas acabou por ceder. Entregou-lhe a verba pedida e deu ordens para que a força militar seguisse para a ilha. Ela chegou de noite à freguesia e recolheu-se em lugar oculto até ao dia seguinte.

Entre as "Terras de Cima" e as "Terras de Baixo" havia uma casa de pasto que estava desocupada. Foi aí que o Regedor preparou o "banquete" de carne, pão e vinho. Arranjou serventes adestrados e quando os eleitores começaram a aparecer foram convidados a entrar para o almoço. E assim fizeram julgando ser benemerência do chefe do seu partido.

Quando estavam bem comidos e melhor bebidos, preparam-se para seguir até à mesa eleitoral, situada nas "Terras de Baixo" mas, ao chegarem à saída, verificaram que a casa estava rodeada de tropa com as armas apontadas para eles. Recuaram amedrontados mas sem explicação para o caso insólito. Ao aproximar-se a hora de encerramento da urna, a tropa retirou e eles correram para o local da assembleia. Quando chegaram, esbaforidos e furiosos com o sucedido, a urna já estava fechada e eles não puderam votar. Escusado será dizer que, daquela vez, o Governador ganhou a eleição!... "

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