Quarta-feira, 29 de Junho de 2005

Porto Judeu em Festa

A décima primeira edição das festas de Porto Judeu estão ai a chegar. Com o tema Rainha do Mar, este ano pareçe que vamos ter umas festas fortes com nomes sonantes como os UHF. Segundo consegui ver no site oficial os carros do cortejo de abertura estão em adiantado estado de construção. Portanto quase tudo a postos!
Retirado do site oficial aqui fica o texto de apresentação:

Desde 1995 realiza-se no Porto Judeu a Festa “Única”, ou seja, a fusão de pequenas festas que decorriam ao longo do Verão. Pretendeu-se assim dar a conhecer ao exterior a nossa freguesia naquilo que tem de melhor: as pessoas, as actividades por elas desenvolvidas, a emancipação das nossas tradições, e como não podia deixar de ser, a arte de bem receber a todos (tanto emigrantes como locais), aumentando assim a nossa interacção e proporcionando um incremento no nosso desenvolvimento.

Ao longo destes anos foram vários os temas sobre os quais incidiram as nossas Festas. Desde “Porto Judeu – Ilhas de Bruma” até “Amor, Fonte de Vida”, passando pelo “Encontro do Céu com o Mar e a Terra”, “Reino da Astrologia”, “Utopia da Felicidade”, “Nossa Cultura e Tradições”, entre outros, pudemos abarcar uma série de actividades que se desenvolveram em prol de toda a população. Nunca nos faltam as tradicionais touradas, procissões, concertos, actividades junto dos idosos, jovens e crianças, bem como concursos de pesca, desportos aquáticos, excursões aos ilhéus, jogos de futebol, e obviamente, o nosso tão sempre esperado cortejo de abertura.

idealizado por ilhas às 14:12
link do post | deixe uma ideia | favorito
|

Estou de Partida para Férias

l e el2jpegBLOG.jpg

O texto acima e a imagem fazem parte do nosso cartão de convite, e será colocada à entrada do Restaurante onde se realizará o almoço do meu casamento. Penso que chegou a hora de assentar. É um casalinho de Peso , não ? Mas damo-nos bem. Acima de tudo isso será o mais importante.
Pois é para a semana é o grande dia. Não sei se até lá voltarei a dar uma palavrinha aos poucos que aqui me visitam.
Estarei de férias para casamento e vou tentar aproveitar ao máximo.
Um abraço.
idealizado por ilhas às 14:02
link do post | deixe uma ideia | ver ideias (5) | favorito
|
Sexta-feira, 24 de Junho de 2005

Belezas da ilha

angra gatr.jpg


O jardim publico de Angra , pela sua variedade de plantas, pela sua localização no centro de Angra é de facto uma joia e o pulmão da cidade.


Agora que Angra está em festa deve-se aproveitar, pois o horário agora é de Verão, fecha 24H. , para um passeio para retemperar , principalmente depois da noite passada, pois a beleza deste pedaçinho de chão é muito saudavel. Aproveitar para namorar é bom ...


Posso falar por mim estou esgotadissimo , não só pelo trabalho que tive , como pelas longas horas de espera. Gostei! As marchas estavam todas alegres , mas gostei especialmente da dos Veteranos. Quanto à Marcha do Porto Judeu , esteve bem. Mas para muita gente que não sabia que era uma marcha já com um ano de existencia destoou um pouco das outras. O que valeu foi a participação e o nome do Porto Judeu , que mais uma vez desfilou de uma maneira alegre

idealizado por ilhas às 15:41
link do post | deixe uma ideia | favorito
|
Quarta-feira, 22 de Junho de 2005

O Policia Sinaleiro

Não sei se foi ideia da Comissão das Sanjoaninas, se de quem, o que é facto é que hoje apareçeu na praça velha , a lembrar a minha meninice, um policia sinaleiro em cima do Pedestal . Mesmo completo como nas fotos dos anos 50...
Gerou alguma confusão entre os automobilistas que se calhar julgaram que o policia era um adereço das festas... Mas resumindo... O facto é de assinalar pela curiosidade que a todos despertou. Os turistas adoraram. Abaixo os semáforos! Viva o sinaleiro !
idealizado por ilhas às 19:17
link do post | deixe uma ideia | favorito
|
Sábado, 18 de Junho de 2005

Cartaz Sanjoaninas

sanj.jpg

A abertura , cortejo, foi bonita de ver. Talvez para compensar outros atrasos que existiram o cortejo saiu a tempo e horas. Dedicado ao mar com carros bem arrojados e bem ao estilo do artista plastico José João Dutra. Esteve a alma do Porto Judeu neste cortejo. O Presidente Paulo Marcelino tem razões suficientes para estar todo badabo...
idealizado por ilhas às 16:23
link do post | deixe uma ideia | ver ideias (2) | favorito
|

Marcha das Sanjoaninas 2005

ANGRA, BAÍA DE ENCANTO

I

Angra, Baía de Encanto;
Verso tecido ao luar;
Mesa de água onde janto
Ondas vadias do mar;
Sonho por mim navegado
Em noite de S. João.
Anda, vem por-te a meu lado!
Tu não me digas que não.

Refrão:
Na nossa marcha,
Quem não canta fica mal;
Quem não baila fica igual
E é bem feito!
Anda pra cá,
Que o amor, p'lo São João,
É pegar-deixar da mão.
Vai tudo a eito!



II

A festa desta cidade
É toda feita de gente,
Toda a alegria que sente!
E, na varanda, pendura
A sua colcha lilás.
Ó meu amor, quem me cura,
Se nem um beijo me dás?!


III

Marcha com versos rimados
No mar azul da baía,
Como se fossem pintados
À mão p'la nossa poesia.
Vê-la, na rua, passando,
É um prazer sem ter fim.
Ai meu amor, até quando
Vais ser assim para mim?!

Tu não me digas,
Nem sequer por brincadeira,
Que não saltas a fogueira,
Que é toda tua!
Ouve o que diz
Nosso amigo São João:
“Quem tem medo compra um cão
E vem pra rua!”

Álamo Oliveira


idealizado por ilhas às 16:13
link do post | deixe uma ideia | favorito
|
Sexta-feira, 17 de Junho de 2005

Sanjoaninas a começar...

As Sanjoaninas 2005 ai estão ! As pessoas pareçem até mais apressadas... Quem passa pela principal arteria de Angra já só vê cadeiras! Está quase tudo preparado. As tascas no Porto de Pipas depois de muitas voltas e remendos, pois o temporal não perdoou, ai estão quase prontas! Nunca vi nada tão atrasado! As pessoas já começam a cozinhar com as cozinhas por montar...
A Zona do varadouro , com as tascas mais pequenas, se chuver vai ser um Deus nos acuda , pois a zona nem foi asfaltada. Será assim que se quer fazer e trazer turismo a esta ilha ??? Bem...
Meus leitores a minha ausencia tem-se devido a esta festa , espero voltar em breve ...
Abraços a todos.
idealizado por ilhas às 19:39
link do post | deixe uma ideia | ver ideias (2) | favorito
|
Terça-feira, 14 de Junho de 2005

A sessão Solene

Ontem , 13 de Junho, para além de ser o dia do padroeiro de porto Judeu , também foi dia de aniversário na Casa do Povo.
A freguesia esteve duplamente em festa, houve missa festiva seguida de procissão . Logo a seguir as pessoas rumaram à C. P. para participarem dos festejos , com muita alegria.
O presidente do governo em exercicio, Dr. sergio Avila, foi o orador oficial. tendo tecido rasgados elogios à instituição. Prometendo uma colaboração mais estreita com a mesma, no sentido de se conseguir atingir certos objectivos; a construção do Lar de Idosos e a ampliação da Creche e Jardim de Infancia.
Logo de seguida houve recital de poesia, não é por ter sido eu um dos que lá estiveram a dizer, que penso teve bastante qualidade e aceitação. Mas o momento alto da noite foi a actuação do quarteto Entertainer que fez com que a plateia se levantasse a aplaudir.
Com várias instituições e colectividades representadas as comemorações deste aniversário fecharam com chave de ouro. Assim se façam mais iniciativas deste genéro.
idealizado por ilhas às 19:47
link do post | deixe uma ideia | favorito
|
Segunda-feira, 13 de Junho de 2005

VIDA

paisagem30_small.jpg
O poema que abaixo se publica , foi-me enviado por uma pessoa que se inicia nesta lides a Alda Teixeira


Vida!
Quem sou eu afinal
um Deus,um exemplo...
É assim que me descreves!

Entro no abismo
Sem pensar ferir te
Sofro,caminho em frente
Ergo a cabeça...
E ai estou Eu

Serei eu?
Ou entao alma gémea carregada
de dever mas...ocultando
o conhecido,desconhecido

Não quero sentir
Não quero falar
Mas quero ver-te
É uma força superior a mim
Que alimenta meu eco furioso e arrogante
Mas...passivo.
Caio do precipicio no escuro
Mergulho neste mar gelado de inquietaçoes
e incertezas
luto não afogar me
Respiro...olho á volta..........
O que vejo?
O mar, o céu, o infinito
Regresso á vida


E aqui estou EU?
ALDA
idealizado por ilhas às 19:10
link do post | deixe uma ideia | ver ideias (5) | favorito
|
Sábado, 11 de Junho de 2005

A alegria dos Nossos velhinhos

Integrado nas celebrações do 69º anversário da Casa do Povo de Porto Judeu, decorreu ontem, um convivio entre diversos idosos de várias freguesias da ilha. Assim a animação foi grande. Os grupos participantes trouxeram canções , poemas e rábulas.
Foi uma tarde bem passada. Houve bolo e um farto lanche para todos. Bingo e bailarico , bem ao gosto dos nossos meninos dos 60 aos 80 ...
Sairam todos bem dispostos. Também nós gostamos de estar com eles e pensamos que a experiencia deve ser repetida.
idealizado por ilhas às 14:01
link do post | deixe uma ideia | favorito
|
Sexta-feira, 10 de Junho de 2005

Belezas da ilha

serra sta barbara ilha terceira acores 1.jpg

O Ponto mais alto da ilha Terceira , situa-se na serra de Santa Barbara, que a foto documenta. Desta Serra pode-se disfrutar de uma paisagem impar. Daqui tem-se a noção de arquipelago, pois voçê poderá ver várias ilhas.
idealizado por ilhas às 13:14
link do post | deixe uma ideia | favorito
|

Não sei que raio...

Não sei que raio de coisa se passou que adiantei ou adiantou-se a data num dos meus posts... Estou sempre adiantado um Mês. Bem , para quem não sabe , uma coisa é certa é que sempre que olho para a data lembro-me, que é a vespera do dia D. Bem, o dia D é o do meu casamento. Tá mesmo quase ... Falta menos de um mês! Estranhas coincidencias estas da tecnologia , não ?

Hoje é feriado. Mas estarei um tanto ocupado com serviços à comunidade. A casa do Povo começa a festejar o seu aniversário. Certamente vai ser engraçado. Os velhotes , do centro de convivio estão entusiasmadissimos. Força . Quem quiser apareçer é bem vindo!
idealizado por ilhas às 12:59
link do post | deixe uma ideia | favorito
|
Quinta-feira, 9 de Junho de 2005

UFA!... Feriado !

brasil06k.jpg

Amanhã é feriado, graças a deus, um feriado especial . É o nosso Dia ! Dia de Portugal de camões e das comunidades. Um dia onde se lembra que este, pequenino, pais já foi grande! Partindo à descoberta do mundo. Onde se lembra aqueles que partiram para a diáspora. E o nosso poeta maior Camões!
Da autoria de Mirna Queiroz aqui fica um resumo da vida do nosso poeta maior. Neste seu dia que maior homenagem lhe poderiamos fazer ?



QUANDO TUDO ACONTECEU...

1524 ou 1525: Datas prováveis do nascimento de Luís Vaz de Camões, talvez em Lisboa. - 1548: Desterro no Ribatejo; alista-se no Ultramar. - 1549: Embarca para Ceuta; perde o olho direito numa escaramuça contra os Mouros. - 1551: Regressa a Lisboa. - 1552: Numa briga, fere um funcionário da Cavalariça Real e é preso. - 1553: É libertado; embarca para o Oriente. - 1554: Parte de Goa em perseguição a navios mercantes mouros, sob o comando de Fernando de Meneses. - 1556: É nomeado provedor-mor em Macau; naufraga nas Costas do Camboja. - 1562: É preso por dívidas não pagas; é libertado pelo vice-rei Conde de Redondo e distinguido seu protegido. - 1567: Segue para Moçambique. - 1570: Regressa a Lisboa na nau Santa Clara. - 1572: Sai a primeira edição d’Os Lusíadas. - 1579 ou 1580: Morre de peste, em Lisboa.


PASSAGEM PARA A ÍNDIA

1552. Corpus Christi. No Largo do Rossio dois mascarados lutam com Gaspar Borges, funcionário da Cavalariça Real. Camões aproxima-se, reconhece os mascarados, são amigos seus. Não hesita, mete a mão no bolso e parte para a rixa. Faca em punho, movimento nervoso, cutilada no pescoço do adversário. A noite acaba em sangue. Camões é preso e levado para a cadeia do Tronco.

A mãe, Dona Ana de Macedo, chora a prisão do filho. Vive em súplica de perdão para Luís: visita ministros reais e o próprio Borges. Passados nove meses a vítima, já restabelecida do ferimento, resolve atender ao pedido.

É dia de alguma liberdade para Camões. O poeta deixa as masmorras sob duas condições: primeiro tem de pagar multa de 4 mil réis ao esmoler d’El-Rei; depois, embarcar para a Índia e servir por três anos na milícia do Oriente.

Em Março de 1553 o poeta parte para Goa na São Bento, nau incorporada à frota comandada pelo capitão Fernão Álvares Cabral. É soldado raso. Chega à capital da Índia portuguesa seis meses depois. Pena e papel sempre à mão, o poeta escreve sobre o que vê:

"(...) Cá, onde o mal se afina e o bem se dana,
E pode mais que a honra a tirania;
Cá, onde a errada e cega monarquia
Cuida que um nome vão a Deus engana;
(...) Cá neste escuro caos de confusão,
Cumprindo o curso estou da natureza.
Vê se me esquecerei de ti, Sião!" (1)

Camões participa numa expedição punitiva contra o Rei de Chemba, na Costa do Malabar, enviada pelo Vice-Rei D. Afonso de Noronha. Vitória. O poeta regressa a Goa. Em Fevereiro de 1554 parte novamente sob o comando de D. Fernando de Meneses. Desta vez em perseguição a navios mouros que comercializavam entre a índia e o Egipto, prejudicando o monopólio mercantil dos portugueses. A frota só volta à Índia em Novembro do mesmo ano.

Chegam as férias militares, fim do soldo. Para ganhar alguns trocados, Camões escreve versos e autos por encomenda de um poderoso senhor que os apresenta como seus à pretendida. Em troca, restos de comida. O poeta também se torna escriba público. São muitos os soldados analfabetos. Camões escreve cartas para os seus familiares no Reino. Assim vive em Goa até 1556: "Junto de um seco, duro, estéril monte"(2). "Numa mão sempre a pena e noutra a espada".(3)



O NAUFRÁGIO





Fim do estágio obrigatório na milícia do Oriente. Camões é nomeado provedor-mor em Macau, entreposto comercial de portugueses na China. É encarregado de arrolar e administrar provisoriamente os bens de pessoas falecidas ou desaparecidas. Lá, descobre uma estreita gruta, refúgio. Passa horas a escrever, Os Lusíadas: a viagem épica de Vasco da Gama e, no extremo sul da África, o gigante Adamastor a tentar impedir o avanço dos nautas portugueses:

«Eu sou aquele oculto e grande Cabo
A quem vós chamais de Tormentório.»

Heróis trágico-marítimos; deuses mitológicos, paixões, intrigas, batalhas, aventuras e cobiças. Histórias de um minúsculo Portugal em expansão, «mais do que prometia a força humana»...

Não tarda e é acusado, por compatriotas, de apropriação de dinheiro alheio. Camões tem de ir a Goa para responder a inquérito judicial.

No regresso, o susto, o naufrágio. Está na Costa de Camboja, próximo do Rio Mecom. Camões salta do barco. Os Lusíadas colados ao corpo. Braçadas. Mais braçadas. Turbilhão de água, escassez de ar. Camões nada, incansavelmente. Terra firme. Ainda não perdeu os sentidos. Sabe que está vivo. Olhar de soslaio, o manuscrito está salvo. Já pode desmaiar. O corpo a transpirar, ardência, febre. A infância, paixões e conflitos, lampejos. Mazelas.



TRISTE VIDA SE ME ORDENA...



Fidalgo pobre, de família arruinada, tem uma infância cheia de privações. O pai, Simão Vaz de Camões, deixa filho e esposa, em busca de riquezas nas Índias. Morre em Goa. A família desamparada. O menino Luís Vaz assiste ao novo casamento da mãe. Um estranho ocupa o lugar do falecido.

É educado em Lisboa por dominicanos e jesuítas. Vive um período em Coimbra, onde faz o curso de Artes no Convento de Santa Cruz. O tio, D. Bento de Camões, é prior do Mosteiro e chanceler da Universidade. Camões frequenta os centros aristocráticos, onde tem acesso às obras de Petrarca - a quem toma por modelo -, Bembo, Garcilaso, Ariosto, Tasso, Bernardim Ribeiro, entre outros. Domina a literatura Clássica da Grécia e Roma; lê latim, sabe italiano e escreve o castelhano.

Conta-se que o poeta é levado a frequentar o Paço por D. António de Noronha, cuja morte é citada num soneto. Ali conhece Dona Caterina de Ataíde, Dama da Rainha, por quem se apaixona perdidamente. O objecto de paixão é imortalizado na sua lírica sob o anagrama de Natércia. Há quem diga ainda que o autor d’Os Lusíadas se enamora da própria Infanta D. Maria, irmã de D. João III, Rei de Portugal.

Talvez boatos, como tantos outros acerca de sua vida. O que se sabe ao certo é que os seus amigos são vadios que se amotinam pelas ruas da cidade; as suas mulheres, meretrizes. O Malcozinhado, bordel de má fama lisboeta, é o lugar preferido para refastelar-se. Gosta de fitar o sexo oposto. Assedia, fala, canta. É jocoso. Convida a dançar, cheiro a cravo. Saiotes a girar, contentamento. Inspiração:

"Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente ;
É um contentamento descontente
É dor que desatina sem doer..."(4))

Mas a vida do poeta não é feita só de encontros fortuitos. Alterna pequenos momentos de regozijo com indagações profundas sobre si mesmo. Nos seus pensamentos, os apetites carnais entram em colisão com a visão platónica que tem da mulher e dos sentimentos amorosos. Transfere a contradição para a lírica. Compõe o amor no seu mais alto anseio espiritual, afectivo. O amor transcendente, imaculado:

"Transforma-se o amador na cousa amada,
Por virtude do muito imaginar,
Não tenho logo mais que desejar,
Pois em mim tenho a parte desejada.
Se nela está minha alma transformada,
Que mais deseja o corpo alcançar?
Em si somente pode descansar,
Pois consigo tal alma está liada." (3)

Mas também evoca o erotismo, os desejos e a arte de tão bem seduzir. Dirá mais tarde, n’Os Lusíadas:

"Oh! Que famintos beijos na floresta,
E que mimoso choro que soava!
Que afagos tam suaves, que ira honesta,
Que em risinhos alegres se tornava!
O que mais passam na manhã e na sesta,
Que Vénus com prazeres inflamava,
Melhor é exprimentá-lo que julgá-lo;
Mas julgue-o quem não pode exprimentá-lo." (5)

Num plano mais terreno, Camões tem outras inquietações. É apontado como sujeito folgado e briguento. Ganha a alcunha de Trinca-Fortes. As suas desavenças dão origem ao desterro, em 1548. Segue para o Ribatejo. No bolso, nem um vintém. Amigos afortunados garantem-lhe cama e comida.

Vive seis meses na província, de favores. Resolve alistar-se na milícia do Ultramar. Embarca para Ceuta no Outono de 1549. Perde o olho direito numa escaramuça contra os mouros inimigos de Cristo. Em 1551, volta a Lisboa. Amargura, desilusão:

"(...) Que castigo tamanho e que justiça.
(...)Que mortes que perigos, que tormentas,
Que crueldades neles experimenta."(6)

O poeta anda muito calado. Reflexões. Confessa aos amigos que sente despedaçados todos os valores em que acredita, ele, homem de princípios cristãos. Aflito com as diferenças entre utopia e realidade, aspiração e recompensa. Já escrevera sobre a contradição entre o que julga ser moral, racional e o que realmente testemunha e vive. É o "desconcerto do Mundo, em que os bons vê sempre passar no mundo graves tormentos, os maus vê sempre nadar em mar de contentamentos" (1). Tais injustiças passam a ser tema constante na sua lírica. Descreve os seus infortúnios, aponta com desprezo a sede cobiçosa, o querer tiranizar (1). Também não lhe escapam as transformações às quais os homens estão sujeitos:


"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
Muda-se o Ser, muda-se a confiança;
Todo mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades." (3)



AQUELA CATIVA...


Camões acorda na praia. Tudo embaçado, imagens sem sentido. Sonho e realidade confundem-se. Abandona-se. Chora a perda da mulher amada: Dinamene, a chinesa, "aquela cativa que me tem cativo"... Ela, que viajou em sua companhia, não sobreviveu ao naufrágio.

Luís Vaz levanta-se, caminhar trôpego, desconsolo:

"Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste." (3)

Permanece na região em companhia de monges budistas, até que um dia é levado de volta a Goa num navio português.


NASCE A OBRA

Em Goa, sempre as atribulações: um empréstimo aqui, outro acolá. Finta. Um credor zanga-se. Cadeia. Do cárcere, Camões invoca os bons ofícios do Conde de Redondo, vice-Rei da Índia Portuguesa, nuns versos humorísticos escritos por volta de 1562. O vice-rei concede-lhe a liberdade. O poeta é ainda distinguido com a sua protecção.

Nesta época mantém contactos com outras figuras importantes. Representa o auto do Filodemo ao governador Francisco Barreto. Compõe uma ode a favor do vice-rei D. Constantino de Bragança, defende-o contra críticas. Também é amigo do vice-rei Francisco de Sousa Coutinho. Ganha de um deles a nomeação para a feitoria do Chaul, mas não chega a ocupar o cargo. Convive com Diogo do Couto, o continuador das "Décadas", e com Garcia de Orta. O médico, naturalista e ex-catedrático de Lisboa pede-lhe uma ode para acompanhar a primeira edição dos "Diálogos dos Simples e Drogas".

Apesar das boas relações, Camões queixa-se da vida difícil. Resolve então celebrar as próprias desgraças, é o que diz aos companheiros. Banquete. Mas na mesa, não há iguarias nem bom vinho.

"Heliogábalo zombava das pessoas convidadas,
E de sorte as enganava,
Que as iguarias que dava
Vinham nos pratos pintadas.
Não temais tal travessura,
Pois já não pode ser nova;
Que a ceia está segura
De não vos vir em pintura,
Mas há de vir toda em trova." (3)

Em 1567, Camões conhece Pêro Barreto. Nomeado capitão para Moçambique, Barreto promete-lhe um emprego e adianta-lhe o pagamento da passagem. Dívida prolongada. Os dois brigam. O Capitão manda prendê-lo, rotina.

Fome. Os amigos mais uma vez ajudam-no. Inverno. Camões fecha-se na poesia. Retoca os seus Lusíadas. Deseja muito imprimi-los. Nestes dias de frio, o poeta nunca larga a sua pena: compõe o "Parnaso Lusitano", colectânea de poemas líricos. Obra de muita erudição, consideram os amigos. Um ladino leva-a, fim desconhecido.

Finais de 1569. Nos últimos meses, o poeta fala muito na Pátria, que tanto exalta em seus cantos. Saudades. Diogo do Couto junta uns amigos, compram roupas a Camões, pagam-lhes as dívidas e ajudam-no a deixar Moçambique.

Camões chega a Lisboa na Santa Clara, em 1570. Traz com ele Jau, um escravo javanês comprado em Moçambique, e os dez cantos d’Os Lusíadas. Na capital portuguesa vai viver com a mãe, na Mouraria. A sua penúria é ainda maior. O poeta abatido pousa a cabeça na escrivaninha e queixa-se em voz baixa: "Ah! Fortuna cruel! Ah! Duros Fados! (7)



EDIÇÃO D’ OS LUSIADAS

Apenas uma ambição: editar Os Lusíadas. Macambúzio, roupa apertada e esgarçada, restos de altivez, o poeta pede ajuda ao Conde de Vimioso, D. Manuel de Portugal. Permissão real para levar adiante o seu projecto. Júbilo. O censor, Frei Bartolomeu Ferreira, concede-lhe o imprimatur. Mas antes, lê o poema e faz algumas modificações: limpeza de certos indícios de impiedade.

Na oficina do Mestre António Gonçalves, à Costa do Castelo, a obra de Camões ganha corpo. Desatenção: duzentos exemplares cheios de erros tipográficos. Correm os primeiros meses de 1572.

Após a publicação, D. Sebastião, o jovem monarca, concede ao poeta uma tença trienal de 15 mil réis, ou seja 40 réis por dia, "em respeito aos serviços prestados na Índia e pela suficiência que mostrou no livro sobre as coisas de tal lugar". Vale lembrar que, nesta época, um carpinteiro ganha em média 160 réis por dia. A pensão é renovada em 1575 e novamente em 1578. Conta-se que o poeta sobrevive juntando estes proventos às esmolas recolhidas pelo escravo javanês.

O seu nome começa a fazer eco. Composições líricas e até cartas suas - uma escrita em Ceuta, outra na Índia e mais duas escritas em Lisboa - passam a ser recolhidas em cancioneiros particulares manuscritos.


MORRE O AUTOR

Em 1579 a peste assola Lisboa. Num quarto escuro, Camões estirado na cama. Tem muita febre e já ninguém duvida que é mais uma vítima da doença. Na boca, um gosto, misto de gengibre, canela, cominhos e açafrão: remédio contra a pestilência. Dona Ana de Macedo segue todas as receitas conhecidas: sangria e até sumo de serpilho misturado com leite de mulher. Na casa, o fogo sempre aceso para queimar o ar que tresanda.

O autor d’Os Lusíadas está muito fraco, mas insiste em escrever. Remete uma carta a D. Francisco de Almeida, referindo-se ao desastre de Alcácer-Quibir, à ruína financeira da Coroa portuguesa, à independência nacional ameaçada. "Enfim acabarei a vida e verão todos que fui tão afeiçoado à minha Pátria que não só me contentei de morrer nela, mas com ela".

A mãe deixa o quarto, prato de comida intacto nas mãos. O poeta já não reage. Desvanece.

"Foge-me, pouco a pouco, a curta vida,
Se por acaso é verdade que inda vivo;
(...) Choro pelo passado; e, enquanto falo,
Se me passam os dias passo a passo.
Vai-se-me, enfim, a idade e fica a pena." (3)


OS ERROS E A FORTUNA


O seu corpo é sepultado num canto qualquer da banda de fora do cemitério do Convento de Santana. E ainda assim graças à Companhia dos Cortesãos, que paga as despesas do funeral. Segundo os amigos mais próximos, os últimos anos de Camões são vividos na mais absoluta miséria. À mãe deixa apenas a tença que lhe foi atribuída e a ela transferida.

Depois da sua morte cresce o interesse pelos seus poemas - apenas três deles publicados em vida - e pelos seus autos e comédias: Auto dos Anfitriões, Auto d’El Rei-Seleuco e o Auto de Filodemo.

Em 1548 sai a segunda edição d’Os Lusíadas, chamada "Dos Piscos". Expurgada pela censura, que a mutila, principalmente por motivos religiosos, até à quarta edição em 1609. Em 1670, contam-se 18 edições dos cantos. O tempo passa, estudiosos de vários pontos do mundo debruçam-se sobre a sua vida e obra. É elevado a herói nacional. O poeta ainda vivo, apesar do seu fado. Vivo pelo seu amor à Pátria, pela epopeia, pel’Os Lusíadas. Vivo pela sua angústia existencial, pela sua lírica: a mulher como anjo, porém a carne; a razão, porém o desejo; as ideias, porém o dia-a-dia; o espírito, porém o corpo. Luís Vaz dilacerado, violência, violência:

"Erros meus, má fortuna, amor ardente
Em minha perdição se conjuraram;
Os erros e a fortuna sobejaram,
Que para mim bastava amor somente.
Tudo passei; mas tenho tão presente
A grande dor das cousas que passaram,
Que as magoadas iras me ensinaram
A não querer já nunca ser contente.
Errei todo o discurso dos meus anos;
Dei causa a que a fortuna castigasse
As minhas mais fundadas esperanças.
De amor não vi se não breves enganos.
Oh! quem tanto pudesse, que fartasse
Este meu duro Génio de vinganças!"(1)

_____________________________________________________________

(1) "Rimas,1616 - (2) "Os Lusíadas", canto VII - (3) "Rhitmas, 1595 - (4) "Rimas", 1598 - (5) "Os Lusíadas", Canto IX - (6) "Os Lusíadas", canto IV - (7) "Rimas", 1668


idealizado por ilhas às 19:00
link do post | deixe uma ideia | favorito
|
Quarta-feira, 8 de Junho de 2005

Casa do Povo em aniversário

CASA POVO1.jpg

A casa do Povo de Porto Judeu celebra este ano o seu 69º aniversário.
Do programa das comemorações consta no dia 10 um convivio de idosos de várias freguesias e centros. Com actuações e lanche.
No dia 11 será o dia dedicado à criança . Haverá passagem de modelos infantil e outras actuações. No dia 12 o dia será dedicado ao desporto com um torneio de futebol de 7 e demonstração de carros de pedal. Finalizando este dia com uma missa por alma dos sócios falecidos.
Na Segunda-Feira , dia do aniversário, haverá sessão solene com a presença de Sergio Avila , Vice-presidente do Gov. regional, recital de poesia e a actuação do Quarteto Entertainer . No fim serão todos obsequiados com um beberete.
Aqui o Ideias congratula-se pela passagem de mais este aniversário. Muitos parabéns .
idealizado por ilhas às 13:37
link do post | deixe uma ideia | favorito
|

Belezas da Ilha

igreja velha de s_ Mateus 1.jpg

Este é o interior da antiga igreja de S. Mateus . O povo da freguesia construiu nova igreja numa localização mais central porque esta , devido à sua localização, estava muito exposta a intemperies. Ao lado existe , ainda , o cemitério local, com uma casa mortuária recentemente construida. Também bem pertinho existe o Restaurante Quebra-Mar , onde se pode disfrutar de uma belissima vista. Importa ressalvar que apesar de destruida esta igreja , mantem-se como um monumento daquela freguesia. Sendo frequentemente recuperadas as fachadas para que não se percam definitivamente. Um bom trabalho da sua autarquia.
idealizado por ilhas às 00:00
link do post | deixe uma ideia | favorito
|

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Março 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

.Bem-vindo(a)

Hoje tudo o que eu queria
era a tua visita.
Não sei porquê mas fazia-me bem
que me deixasses uma mensagem.
Se não gostares do
meu cantinho diz.
Podes ficar descansado(a)
que não vou ralhar contigo.
Para quem não sabe
e me visita pela primeira vez
este é um espaço de
um Açoriano da ilha Terceira.
Aqui vou falando
da minha terra
e das minhas ideias e ideais
.Obrigado por me visitares

.Selo do blog

IDEIAS E IDEAIS

Use Ctrl+C para copiar
e Ctrl+V para colar
o selo no teu blog

.Especiais

Bandeira da minha Região
Açores

Pesquisa Google


Previsão Metereológica
para o Porto Judeu


Contacto
Contacto via e-mail

Jornais Açorianos
Diário Insular
A União
Jornal Diário
Expresso das Nove
Açoriano Oriental

FRASE do DIA

.Contadores

Free Web Counter
Free Hit Counter

Ilha Terceira -Açores
online
Locations of visitors to this page
contador gratis
contador gratis

.Blogs Interessantes/simpáticos

.Blogs Amigos

a href=BlogBoard dos Açores
Relojoaria
Desabafos da Alma
Carnaval Terceirense
BISCOITOS TERCEIRA
An'arka
DOCE E AMARGO
Alamo Esguio
OFELIAZINHA

Azoriana Blog
Azoriana Blog
PERCURSOS E. INOVADORES

MAGIA GIFS
DESAMBIENTADO
Blogueiros On Line Blog
Fala Quem Sabe
Rapariga das Laranjas
Rapariga das Laranjas

Mudar o template
Blog da Guida

portodaspipas
portodaspipas
PS 2005 P. J.

VISITE O MAR ADENTRO

Grilinha
Jardim da Medusa
Fernão Capelo Gaivota
Fernão Capelo Gaivota


O Blog da Guida

Use Ctrl+C para copiar
e Ctrl+V para colar
o selo no teu blog

.Eventos e Campanhas

Priôlo
Salvemos o Priolo


.Destaques e Prémios

Sou ou Fui Destaque!
E também Prémios Recebidos
Prémio
Prémio atribuido pela Azoriana

 Links & Sites


Fui Destaque no Azoriana Blog
Destaque na
Leitura do dia


Sêlo de Participação
Awards que Ganhei

O Meu Award
o prémio
Leve o seu prémio

Use Ctrl+C p/copiar
e Ctrl+V p/colar o
código no seu blog

.Ideias recentes

. Marcha do Carrocel 2016

. Estamos quase no Carnaval...

. versos ao meu Porto judeu...

. Angra - património mundia...

. Mãe

. dias...

. Outono

. Vem...

. ...

. Sextilhas da ilha

. Finados

. Soca vermelha...

. Ajudinhas

. Noite Profunda

. cá na ilha

. Oásis

. Fantasia de emoções

. Domingo Molhado

. Ajudar O Porto Judeu

. Conta Solidária - Porto J...

.Ideias arquivadas

. Março 2017

. Janeiro 2014

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Março 2013

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Janeiro 2006

. Dezembro 2005

. Novembro 2005

. Outubro 2005

. Setembro 2005

. Agosto 2005

. Junho 2005

. Maio 2005

. Fevereiro 2005

.Ideias catalogadas

. acores

. açores

. alentejo

. alma alentejana

. azoriana

. blogs

. cantoria

. carnaval

. ebit

. poema

. porto judeu

. quadras

. rosa dias

. samuel

. terceira

. todas as tags

.subscrever feeds

.as minhas fotos

.O meu sapinho


Selo Pela Amazónia

Usa Ctrl+C para copiar
e Ctrl+V para colar
o selo no teu blog
clique para ver imagem

Use Ctrl+C para copiar
e Ctrl+V para colar
o selo no teu blog